31 de ago de 2011

Economia solidária e agrofloresta no Vale do Ribeira

O Vale do Ribeira responde por uma das regiões mais pobres, com o menor IDH do Estado de São Paulo e incluída no maior contínuo de mata atlântica preservada do país, mas não foi por isso que este post está valendo a pena.
É nesta região que está localizado o Bairro Guapiruvu, formado por descendentes de indígenas, negros escravizados e portugueses, constitui-se hoje como uma comunidade caiçara que vive principalmente do cultivo de banana. A terra em que vivem é resultado de anos de ocupação histórica, reconhecida pelo INCRA como Assentamento Alves, Teixeira e Pereira. Segundo a Fundação Florestal:
A Fazenda Boa Vista (que ocupava anteriormente à expropriação) tem potencial para o desenvolvimento sustentado das comunidades locais, através do reordenamento da ocupação, da introdução de práticas agrícolas alternativas e da conservação e preservação das áreas naturais nela presentes.” (Fundação Florestal, Processo F.F. N° 547, 2002)

Influenciados pela cultura urbano-industrial durante os anos de 1940, os moradores do Guapiruvu tiveram que recriar seu modo de vida diante do desmatamento e do avanço da fronteira agrícola, associado a concorrência territorial da formação das primeiras unidades de conservação do Brasil e das proibições ambientais, o que consecutiu em diversos conflitos agrários. No entanto, para esta comunidade, estes eventos potencializaram sua capacidade organizacional repercutindo na formação da AGUA – Associação de Moradores e Amigos do Bairro Guapiruvu e na CooperÁgua – Cooperativa dos Produtores Rurais do Bairro Guapiruvu, baseada nos ideais da economia solidária.


No que tange à questão ambiental, as iniciativas solidárias surgem como uma alternativa, ao ter como base a sustentabilidade dos recursos naturais nas práticas agrícolas, somado a cultura tradicional destas comunidades, já baseadas em práticas de conservação dos recursos.
Sempre a margem da produção agrícola mercantil, a agricultura camponesa de subsistência se manteve nos bairros rurais e no modo de vida caipira, sendo invariavelmente desestruturada com a expansão da agricultura comercial. Contudo, são os efeitos da organização comunitária e do cooperativismo que tem impedido a dominação do grande capital no setor de produção agrícola, dando a agricultura camponesa a possibilidade de resistência e reprodução.
No Guapiruvu, a AGUA tem como meta o desenvolvimento econômico, solidário e sustentável e se autodefine como precursora de um novo paradigma de desenvolvimento para a comunidade, estabelecendo o ecodesenvolvimento, inclusão social, democracia participativa e a economia solidária. A CooperÁgua viria em seguida, em decorrência da AGUA e das dificuldades de produção e comercialização dos produtos agrícolas da comunidade.
As principais consequências da consolidação da CooperÁgua foi a diminuição ou extinção do uso de insumos químicos nos cultivos e a mudança progressiva no sistema de produção agrícola, do convencional para o agroflorestal ou agroecológico.
Para Defourny (1993), existem duas condições iniciais para a formação de iniciativas econômicas solidárias: a necessidade econômica e a necessidade de consolidação de uma identidade própria. No caso do Guapiruvu, ambas estavam presentes.
O que, por sua vez, representa atualmente mais do que resultados econômicos, tornou-se local de vida e comunhão entre os moradores do bairro, local de representação simbólica de sua cultura e modo de vida e a preservação dos recursos naturais com práticas agrícolas sustentáveis e hoje,  o Guapiruvu consolida-se como uma comunidade com alto grau de amadurecimento gerencial e sócio-político a partir do tripé formado pela AGUA, CooperÁgua e outras formações menores, mas não menos importante.
Para quem quiser saber mais pode ler o trabalho: Economia Solidária e Agroecologia o Bairro Guapiruvu e/ou visitar o Bairro Guapiruvu as portas estão sempre abertas. Entre em contato conosco!

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